terça-feira, 20 de outubro de 2009

DO BERÇO AO DIPLOMA


Quanto custa criar um filho,
do berço ao diploma
Vinte anos passam voando e muitos
casais jovens já se planejam para custear
as despesas futuras dos filhos

Fernanda Colavitti e Carolina Botelho

Criar um filho numa família brasileira de classe média, do berçário até o diploma de faculdade, custa alguma coisa em torno de 320 000 reais. Na classe média alta, o custo passa dos 600 000 reais. Beira o 1 milhão de reais se o herdeiro for da classe alta. Esses são os números a que chegou o economista e consultor Mauro Halfeld, da Universidade Federal do Paraná, que fez o levantamento a pedido de VEJA Seu Investimento. Os resultados detalhados estão no quadro. Autor de Investimentos – Como Administrar Melhor Seu Dinheiro, Halfeld fez três simulações com um casal que cria e educa um filho, até a idade de 22 anos, quando obtém o diploma na faculdade. A cada item, como habitação, alimentação, transporte, despesas pessoais, saúde, vestuário e educação, foi atribuído um peso diferente.

Mais do que buscar a precisão absoluta do cálculo, o consultor paranaense procurou encontrar uma fórmula simples e objetiva para auxiliar os pais no planejamento do futuro de seus filhos. É o que muitos já estão fazendo, como o analista de sistemas Cláudio Hendo, 38 anos, e a agente de turismo Mari Yamaguchi, 28. Casados e residentes em São Paulo, eles separam 168 reais todo mês para uma conta especial em nome da filha, Larissa, de 1 ano e 2 meses. "Quando ela chegar aos 21 anos, terá dinheiro para pagar a faculdade e ajudar na pós-graduação no exterior", Mari calcula. Exagero de preocupação com o futuro? De maneira alguma. O casal Cláudio e Mari expressa bem a inclusão de um novo item no orçamento doméstico da família de classe média brasileira – a compra de um plano de previdência voltado para a educação dos filhos no futuro. Eles escolheram o Renda Total Júnior, lançado pela seguradora BrasilPrev, uma associação entre o Banco do Brasil e a empresa americana Principal Financial Group, um gigante internacional do setor. Em 2020, Larissa terá à disposição 100 114 reais, pois o dinheiro vai sendo aplicado como um fundo de investimento.

Mais precisamente, o Renda Total Júnior é um tipo de Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL), hoje a modalidade mais aceita de previdência privada no Brasil. Inicialmente concebido para a aposentadoria, o PGBL passou a atender sob medida os futuros doutores e bacharéis. As principais instituições do ramo têm produtos concorrentes, como a Bradesco Previdência, que oferece o Prev Jovem. O Unibanco AIG comercializa o Prever Kids, destinado a todas as pessoas que desejam presentear um filho, sobrinho, neto ou afilhado. No momento da aquisição do plano, escolhe-se a idade em que o menor começará a usufruir o Prever Kids e o período de recebimento da renda temporária no futuro, de quatro a seis anos. A contribuição mínima mensal do Prever Kids é de 80 reais. Para quem faz para mais de um membro da família, esse valor cai para 40 reais. Quanto maior a contribuição mensal, obviamente maior será o retorno no futuro. Depois de uma carência de 180 dias, o dinheiro pode ser tirado para uma emergência. Outras vantagens são a possibilidade de abatimento no imposto de renda e uma valorização superior à da caderneta de poupança, ao longo dos anos.

Esse é um bom caminho, particularmente para quem sonha alto com a educação dos pimpolhos, como a obtenção de um MBA (o diploma de Master in Business Administration, a pós-graduação que virou passaporte obrigatório para carreiras no mercado financeiro, marketing e em gestão empresarial). "Bancar o curso, a alimentação e a moradia é uma despesa alta e não sai por menos de 250 000 reais", afirma Ricardo Betti, consultor paulista que se especializou em assessorar candidatos que desejam obter um MBA.




FONT: http://veja.abril.com.br/especiais/investimento/p_022.html

domingo, 13 de setembro de 2009

Disciplina - Ela é impossível?

Quem acha que o universo infantil é feito de gracinhas e sorrisos, pode-se espantar com a realidade. A carioca Daniela, de 4 anos, irrita-se quando a irmã mais velha, Luiza, de 5, está sossegada em seu quarto. Aproveitando-se de eventuais descuidos dos pais, aproxima-se da irmã para aprontar alguma - seja surrupiar-lhe um brinquedo gritando em seguida "Luiza não me pega!", seja dar-lhe um cutucão. Na escola, a menina até se comporta bem, desde que não a provoquem. Caso contrário, a resposta é imediata e bem marcada por seus dentes pequenos e ligeiramente separados. O paulista Luiz, de 5 anos, também gosta de aprontar. É um garoto "impossível", como o chamam na escola. Agitado, baderneiro e desobediente, ele costumava sair do lugar para beliscar os colegas. Mateus, do Rio de Janeiro, de 5 anos, vive o papel oposto. Tornou-se o alvo predileto de brincadeiras de mau gosto aplicadas por garotos do prédio onde vive, no bairro do Méier. Foi obrigado a beijar os pés dos "amigos", a carregar os vizinhos nas costas e a receber palmadas pelo corpo. O cotidiano de Daniela, Luiz e Mateus, cujos sobrenomes foram omitidos para preservá-los, se repete em cada prédio, rua ou bairro, em qualquer cidade, estado ou país e propõe uma pergunta.
Existem crianças boas e crianças más? Qualquer adulto que já tenha ido a pelo menos uma festinha infantil acha que sim. Que existem os bons e os maus. Os bons são aqueles que sorriem para os titios quando ouvem um elogio sobre o jeito elegante como se vestem, sentam-se como adultos e conversam empregando a gramática, se não corretamente, ao menos com educação, sem recorrer a palavrões e gírias. Os maus abrem os presentes do aniversariante, passam o dedo no bolo antes que seja cortado e empurram, batem e xingam quem ousa barrar a caravana da destruição. E quando se é obrigado a conviver com o malvado porque ele é filho de um casal amigo? Visitando sua casa em companhia dos pais, o garoto resolve chutar seu cachorrinho de estimação, e os pais dizem apenas que "esse menino é de morte". Apesar dessa impressão, os estudos feitos por psicólogos e educadores garantem que as crianças podem misturar atitudes boas e atitudes ruins, mas não se pode separá-las em dois grupos. "A criança pode estar mais ou menos agressiva, dependendo de sua necessidade de afirmação ou em razão de um padrão rígido de comportamento exigido pela família", ensina a professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília Fátima Sousa. Em maior ou menor grau, crianças são rebeldes porque essa característica é inerente à personalidade infantil e a idade é fator decisivo. Até 1 ano, é impossível querer usar de disciplina para fazer com que um bebê se comporte com educação. Como querer que deixem de puxar os cabelos do irmão mais velho? Só por volta dos 3 anos a criança começa a desenvolver a consciência do que é certo e errado. A ciência investiga para saber até que ponto o comportamento de uma criança pode ser definido geneticamente. Até onde se sabe, pais de bom comportamento não garantem filhos bonzinhos, assim como uma criança má não necessariamente espelha a forma de agir do pai e da mãe. A corrente mais forte dentro da psicologia atual é a que diz que o ser humano tem tanto tendências à agressividade quanto à reciprocidade. Ou seja: a criança não nasce definida para qualquer um desses lados. "Ninguém nasce santo ou assassino", apregoa a professora Fátima. Por que a criança costuma se tornar agressiva depois dos 3 anos de idade? Porque ela percebe que o jogo social tem muitas regras. Sem saber como se comportar, ela tenta se impor de qualquer forma. Crianças como Luiz e Daniela, que perturbam outras como Mateus, existem em muitas famílias, mas ninguém nasce bom ou mau. O que os pequenos fazem é ir invadindo o limite dos outros e, sem encontrar resistência, seguir no movimento de ocupação de espaço até que se tornam inconvenientes. Os pais têm grande responsabilidade nesse processo, e uma forma de brecar um comportamento impróprio dos filhos dentro e fora de casa é impor disciplina. Embora seja difícil encontrar a fórmula certa de fazer isso, é importante que se saiba que as crianças são maleáveis. Ou seja, com um pouco de paciência e atitudes firmes, os pais conseguem reverter um comportamento malvado. Para enfrentar o problema é preciso antes compreender o fenômeno. Quando está falando sobre o mundo dos erros infantis, a maioria dos adultos se esquece de como é tentador fazer algo proibido. Que pai ou mãe jamais acelerou o carro além dos limites indicados na placa ou fez uma conversão proibida à esquerda? Com as crianças é a mesma coisa. Da mesma forma que o adulto consegue listar várias razões para justificar seu ato irregular, a criança também consegue. Esse é o fenômeno. "A transgressão das crianças tem a mesma motivação da transgressão dos adultos. Só que tendemos a ser mais compreensivos com os nossos abusos do que com os delas", diz Renato Dias Ribeiro, presidente da Associação Psiquiátrica do Espírito Santo. A maior parte dos pais, no entanto, quando toca no tema disciplina, está mesmo querendo falar sobre punição, sobre como castigar o filho, de modo a evitar que ele se torne um malvado. Na maioria dos casos, não há razão alguma para falar em punição. A melhor saída é mostrar através de exemplos qual é a maneira certa de agir. Enquanto são pequenas, as crianças aprendem tudo o que sabem com os pais. Portanto, se elas não têm limite, saiba que a responsabilidade não é delas. É sua. Sem regras sobre horários, sem limite diante da televisão, mandando em casa, a criança reproduz esse ambiente no convívio social. Quando crescem um pouco, surgem outros focos de influência, como os professores e os amigos. Os pais deixam de ser o único modelo a ser seguidos, mas seguem sendo a maior influência sobre os filhos. "Em quase toda a vida dos filhos o exemplo dos pais é sempre um referencial de comportamento", afirma a educadora Cláudia Dansa, diretora de escola de Brasília. "Na infância, eles têm o papel de ajudar a criança a fazer uma adaptação crítica às regras sociais." Castigos podem eventualmente ser necessários, desde que aplicados na hora certa (veja quadro abaixo). A criança está muito malcriada? Corte a televisão ou deixe-a algumas horas no quarto. Vale tudo, menos bater. E há várias razões para isso. A primeira é que bater não passa de um desabafo dos pais, que demonstram, assim, não ter o devido controle sobre as próprias emoções. Depois porque, na cabeça da criança, se os pais podem bater, ela também pode. O castigo deve servir para dar ao pai ou à mãe a sensação do dever cumprido, pois estão educando. Aos filhos, ele ajuda a compreender que fez algo de errado. "Batendo, os pais têm a ilusão de estar educando os filhos, que se sentem injustiçados e podem reagir com comportamento mais agressivo", afirma o psiquiatra Renato Dias Ribeiro. Como repreender os filhos Quando seu filho apronta, é preciso agir rápido. Para isso, é necessário que a criança saiba o que é certo antes de ser cobrada pelo que fez de errado. Abaixo, uma lista de repreensões e quando usá-las. Encenação: Quando seu filho tem ataques de birra e gritos no restaurante e nada funciona, pegue-o pela mão e, calmamente, leve-o embora. Ele tenderá a fazer diferente da próxima vez.Olhar: Quem foi filho conhece aquele olhar fulminante à prova de malcriações.Repetição: Diga "não" sempre que seu filho quiser fazer algo que ele sabe que não deve. A técnica é usada para evitar que crianças pequenas exponham-se a situações de risco.Negociação: Se dois filhos seus, ou seu filho e um amigo, estiverem disputando um brinquedo, intervenha e dê-lhes alternativas. Podem dividir o brinquedo ou partir para outra brincadeira. Grito: Costuma ser eficiente, mas cuidado. Se você grita sempre, põe a autoridade em risco e dá um mau exemplo para os filhos. Restrição: Corte aquilo de que a criança mais gosta. Ir ao clube, ver televisão, brincar no computador etc. Palmada: Quando a situação impõe e você é obrigado a dar uma palmada no bumbum do seu filho, agüente firme. Não vale fazer carinho logo depois.Surra: Nada de agressões físicas. Espancar é a confissão de que você não consegue manter a situação sob controle. De mais a mais, não é punição, é desabafo. O que fazer quando a criança mente? Ideal é explicar que é errado mentir. Muitas vezes a criança está fantasiando, em outras ela mente com a intenção clara de enganar, o que é grave. Nesse caso, é preciso dar uma bronca. Fonte: Revista Veja - Especial Bebês 2000

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Psicologia Gratuita

1) Atendimento de Psicologia - USP
Localização:
Av. Prof. Mello Moares, 1721 - Bloco D
1o. andar, salas 224, 226, 228 e 230
Telefone: (11) 3031-2420
http://www.ip.usp.br/servicos/clinica/servico_clinica.htm

2) Clinica Psicológica "Ana Maria Poppovic" - PUC
Rua Monte Alegre, 961- Perdizes - São Paulo - Capital - CEP: 05014-000
Telefone: 3670-8040/41
http://www.pucsp.br/clinica/atendimento/index.html

3) UNIBAN OESTE
Campus OS – Av. dos Autonomistas, 1.325 - Osasco-SP
Tel.: (11) 3699-9046 / 3699-9047
Período Diurno e Noturno: das 8h às 12h e das 16h às 22h

http://www.uniban .br/home/resp_centroclinico.html

4) ANOSCAR
Rua Ana Martinelli Louveira • 34 • Jardim Umuarama • Osasco • SP
Fone: 3654-1358 • anoscarmo@ig.com.br
http://www.anoscar.org.br/nosso.php
É ligada a diocese de osasco (igreja católica)
só que esse cobra R$20,00 por consulta

5) UNISA
Clínica Psicológica da UNISA
(atendimento gratuito)
Rua Humboldt, nº 29 - Santo Amaro (ao lado do Terminal de ônibus de Santo Amaro e da Estação Largo 13 - Metrô).

6) MACKENZIE
pelo telefone 3256-6827 ou pelo endereço: Rua Maria Antonia, 358 – 1o andar, de 2a a 6a feira das 8h às 21h.

psicoclinica@mackenzie.com.br

http://www.mackenzie.com.br/universidade/psico2/servicos_clinica.htm

7) UNIP

Alphaville - 41911078
Bela Vista - 33414250
Pompéia - 36625255

8) FMU
tem uma clínica de psicologia que cobra R$10,00/mês, mas não consegui descobrir onde é, nem falar pelo telefone
Mais informações:
clinicapsico@fmu.br • Telefone: 3842.5377 ramal 118
quem sabe vc tem mais sorte mandando um e-mail

9) UNINOVE
Campus Memorial
Av. Francisco Matarazzo, 612 - Barra Funda.
Fone: (11) 3665-9335.
Horários de atendimento clínico: de 2ª a 6ª, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 15h.
http://portal.uninove.br/atividadescomunitarias/index.cfm

10) Universidade São Judas Tadeu

Centro de Psicologia Aplicada

Localização: Rua Marcial, 45 - Mooca - CEP: 03169-040
Horários: 2ª a 6ª feira das 8 as 23h e aos sábados das 7 as 17h.

11) UNICASTELO
De segunda a sexta-feira das 8h às 22h e aos sábados das 7h às 14h
Fone: 6170-0093 e 6170-0094
Rua Carolina Fonseca, 235 e 357
Itaquera – São Paulo – CEP 08230-030
Plantão de pronto-atendimento às terças-feiras das 19h às 22h

é lá em Itaquera, e cobra de R$2,00 à R$10,00 conforme avaliação sócio econômica

12) UNIPAULISTANA
Rua Correa Dias, nº 93 - Paraíso - SP
tel. 55496593
http://www.unipaulistana.edu.br/web/index.php?p=infra_formapsic

13) UNICAPITAL

Endereço: Unidade 3 (Rua Cel. Joviniano Brandão, nº 418 – Parque da Mooca)
Telefone: (11) 6165-1000 – ramal 2085
Horários de atendimento: de segunda a sexta-feira, das 13h às 21h, e aos sábados, das 9h às 13h
Mais informações: psicologia@unicapital.edu.br

14) UNIb

Endereço: Rua dos Chanés, 563 – Moema
Telefones: 5044-0183 e 5049-2138
Endereço eletrônico: clinpsi@ibirapuera.br
Horário de funcionamento: segunda a sexta das 7h às 22h30 e sábados das 7h às 16h.

http://www.unib.br/servicos.php?area=servicos&cont=clinica_de_psicologia

Parece Brincadeira

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Infância, a Idade Sagrada - Evânia Reichert

A terapeuta e jornalista Evânia Reichert que deu entrevista em matéria
publicada hoje no caderno Meu Filho conta que a motivação para
escrever o livro Infância, a idade sagrada nasceu em 2005, após o
suicídio de um menino de 10 anos, em Porto Alegre. Na carta deixada
para a família, o garoto alegou que não suportava mais viver na
solidão de sua casa e a depressão dos pais.

Para Evânia, o suicídio não é uma hipótese da infância. Era preciso
compreender o que estava ocorrendo. No livro, a terapeuta é rigorosa
com a atitude das famílias, especialmente com os equívocos que
comprometem a fase inicial do desenvolvimento infantil.

— Estamos em um momento de revisão nos modos de educar. Na minha
opinião, se não há respeito aos adultos, é porque eles também não
respeitam as crianças — avalia.

Para a especialista, a falta de auto-regulação é um dos principais
problemas da atualidade. Além disso, pais e professores estão falhando
quando não sustentam as esperanças das próximas gerações.

— Fizemos um saque antecipado do futuro — diz a autora, citando o
filósofo e educador Mário Sérgio Cortella.

Você está pessimista em relação à educação hoje?

Evânia Reichert _ Não tenho uma sensação negativa em relação a tudo
isso. É preciso compreender que estamos passando por uma mudança
significativa. É interessante que na Renascença a situação do
professorado era semelhante a que nós temos hoje. Naquela época, os
professores não estavam suportando a rebeldia dos adolescentes. A
diferença hoje é que o desafio não é só social ou político, mas
psicológico. Mário Sérgio Cortella (filósofo e educador) disse uma vez
que somos a primeira geração que não cuida suficientemente bem da
próxima. Não sustentamos as esperanças das próximas gerações, fizemos
um saque antecipado do futuro. Quando falamos para nossos filhos que
não há saída, que tudo é muito difícil, estamos os levando a viver o
presente de modo tão intenso que chega a ser insano. Isso também está
relacionado com a falta de auto-regulação.

Como se preparar para esse desafio?

Evânia Reichert _ A educação precisa ser elucidativa, consciente. É
preciso que os pais saibam o que está se passando, estejam atentos. As
escolas humanistas sugerem que até os sete anos as crianças não sejam
estimuladas só mentalmente, porque elas estão na fase do
desenvolvimento motor, do ritmo, do movimento. Depois é que vem a
maturidade cognitiva. É preciso desenvolver a sabedoria corporal.
Hoje, os pequenos passam essa fase fechados nos apartamentos, na
frente do computador e da televisão, e depois os pais acham que eles
são hiperativos… Mas o que falta é grama, terra.

Qual a responsabilidade dos pais nesse processo?

Evânia Reichert _ Estou convencida que o problema da educação está nos
adultos, que estão cada vez mais desconectados. Queremos que as
crianças sigam o nosso ritmo e neurose. Um cuidador suficientemente
bom é aquele que é capaz de estar atento ao tempo e às necessidades
das crianças. Não ignorá-las, não sobrepor sempre as suas necessidades
sobre as delas. Não é ser um pai submisso ou voltado só para os
filhos, mas é um modo de lidar no cotidiano. Acho que a maternidade e
a paternidade são uma grande oportunidade de desenvolvimento, mas é
preciso que haja o desejo de transformação.

Sobre a mudança na lei da licença-maternidade, você acredita que dois
meses a mais perto da mãe fazem diferença na formação da criança?

Evânia Reichert _ Sim. No mínimo, uma criança deveria ficar perto do
provedor de afeto até os seis meses de vida. Nunca na história da
humanidade os bebês ficaram tão cedo e tanto tempo em instituições. Em
vários países europeus, a licença para as mães é de seis meses e
existe uma licença para os pais. Hoje, muitos críticos falam sobre o
custo de uma licença-maternidade maior. Mas qual é o custo social e
financeiro para se tratar os comprometimentos posteriores? Os surtos
psicóticos, a depressão, o transtorno obsessivo compulsivo, problemas
que afastam as pessoas do trabalho? Esses custos são muitos maiores
para o país que o impacto da licença-maternidade estendida.

Fonte: http://www.clicrbs. com.br/blog/ jsp/default. jsp?source=
DYNAMIC,blog. BlogDataServer, getBlog&uf=2&local=18&
template=3948.
dwt&section=Blogs&post=133030&blog=477&coldir=1&topo

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Pediatra Defende Bons Modos Infantis.

Para Perri Klass, é importante falar disso nas consultas médicas.

Pediatra escreve para o jornal "The New York Times".

Durante anos, cuidei de uma criança muito rude. Quando ele tinha 3
anos, chamei-o de incontrolável – e falei com sua mãe sobre "definir
limites". Aos 4, chamei-o de "exigente". Aos 5, ele ainda gritava com
sua mãe se ela não fizesse o que ele queria, ainda me batia quando eu
tentava examiná-lo, e sua mãe me perguntava preocupadamente se eu o
considerava pronto para o jardim da infância.

Eu poderia continuar contando a história (ele não passou um período
fácil na escola), mas soaria como um conto vitoriano: O Menino Rude.
Eu nunca usei a palavra "rude", nem mesmo "modos" ao falar com sua
mãe. Não descrevo meus pacientes como rudes ou educados no registro
médico. Mas eu transmito julgamentos, assim como todos os pediatras
que conheço.

É sempre admirado – e fácil – lamentar a deterioração dos bons modos;
existe uma história frequentemente citada (e contestada) sobre
Sócrates reclamando que os jovens atenienses tinham "maus modos e
desprezo pela autoridade".

Claro, certas orientações sociais deixaram de valer ou se dissiparam,
e claro, a comunicação eletrônica parece ter presenteado adultos e
crianças com novas formas de ser rude. Mas o antigo trabalho de criar
um filho permanece.

E esse trabalho é começar com um ser que não pensa nos sentimentos dos
outros, sem código de comportamento além de seus próprios confortos e
necessidades – e, guiado pelo amor e pela responsabilidade, fazer seu
melhor para transformar esse ser no que sua avó (ou Sócrates) possa
chamar de um ser humano.

Meu livro favorito de educação infantil é "Miss Manners' Guide to
Rearing Perfect Children", de Judith Martin, que assume a visão de que
as boas maneiras são o centro de todo o empreendimento parental.
Liguei para ela para perguntar por quê.

"Cada criança nasce adorável, mas egoísta e o centro do universo", ela
respondeu. É um trabalho dos pais ensinar que "existem outras pessoas,
e elas têm sentimentos".

As conversas que todo pediatra tem, várias vezes, sobre "definir
limites" e "elogiar constantemente o bom comportamento" são conversas
sobre bons modos. E quando está na sala de exames com uma criança que
parece não ter nenhum, você começa a pensar no que está acontecendo em
casa e na escola. Questões sobre disfunção familiar ou problemas de
desenvolvimento cerebral começam a passar por sua mente.

Barbara Howard, professora assistente de pediatria da Faculdade de
Medicina Johns Hopkins e especialista em comportamento e
desenvolvimento, me contou que os modos de uma criança é um assunto
perfeitamente apropriado para se levantar numa visita ao pediatra.

"Eles têm um enorme impacto nas vidas das pessoas – por que você não
levantaria o assunto?”, disse ela. "Eles te olham nos olhos? Se você
estica sua mão, eles a cumprimentam? Como eles interagem com os pais;
eles interrompem, pedem coisas, eles abrem a bolsa da mamãe e tiram
coisas de lá?"

Howard sugeriu que todo o conceito de "modos" pode parecer um pouco
obsoleto – até que você o reclassifique como "habilidades sociais", um
termo muito em voga atualmente. Habilidades sociais são necessárias
para o sucesso na escola, ela aponta; elas afetam seu desempenho no
pátio de recreio, na sala de aula, no ambiente de trabalho.

Também pensamos nas habilidades sociais como um complexo grupo de
desafios que complicam as vidas das crianças – e adultos – no que hoje
é chamado de espectro do autismo. Crianças com autismo, seja leve ou
grave, têm sérias dificuldades em aprender os códigos sociais,
decifrar linguagens corporais sutis ou tons de voz, e aprender as
regras do jogo.

O tratamento para essas crianças pode incluir treinamento sistemático
em habilidades sociais, algumas vezes usando scripts para interações
humanas comuns. E uma lição, segundo Howard, "é que é possível ensinar
essas coisas. Talvez não estejamos ensinando-as tão bem como
deveríamos a crianças com desenvolvimento normal".

É claro, uma das consequências de longo prazo de ser uma criança rude
é se tornar um adulto rude – até mesmo um médico rude. Existem
valentões no pátio da escola e valentões no ambiente de trabalho; pode
ser realmente desconcertante encontrar um adulto com 20 e poucos anos
de educação que ainda enxerga o mundo somente em relação a suas
próprias necessidades e emoções: eu quero isso, então me dê; estou
nervoso, preciso bater; estou ferido, preciso gritar.

Gosto da abordagem do livro porque deixa um pai respeitar a
privacidade intelectual e emocional de uma criança: não estou lhe
dizendo para gostar de sua professora; estou pedindo para tratá-la com
cortesia. Não é que você não possa odiar o Joãozinho; só não pode
bater nele. Seus sentimentos são assunto seu; seu comportamento é
público.

No entanto, essa primeira grande lição intuitiva – de que existem
outras pessoas lá fora e que seus sentimentos devem ser considerados –
afeta o desenvolvimento moral mais básico de uma criança. Para ela,
assim como para um adulto, os bons modos representam uma estratégia
para avançar na vida, mas também um compromisso intelectual
bem-sucedido com o assunto de ser humano.

Eu não gostava de atender meu paciente rude. Apesar de sua saúde
geralmente boa e seu desenvolvimento normal, não podia deixar de
sentir que o mundo adulto havia fracassado em guiá-lo e protegê-lo.
Ele era barulhento, exigente e teimoso, mas uma de suas necessidades
básicas não havia sido atendida: ninguém havia lhe ensinado bons
modos.

Como pediatra, me preocupo com as trajetórias de crescimento e
desenvolvimento infantis: medir o tamanho da cabeça de um bebê, pesar
um garoto, perguntar sobre as habilidades de linguagem de uma criança
em idade pré-escolar. Os bons modos são outro lado da jornada de cada
criança, do desamparo à autonomia. Uma criança que aprende a
administrar um pouco de cortesia, mesmo sob a pressão de uma visita ao
médico, é uma criança que funciona bem no mundo, uma criança com um
prognóstico positivo.

Fonte:http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL957518-5603,00-PEDIATRA+DEFENDE+BONS+MODOS+INFANTIS+COMO+PARTE+ESSENCIAL+DO+DESENVOLVIMENT.html

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Video: Incentivando Seu Filho a Fazer o Dever de Casa

Os filhos do divórcio

A terapeuta americana afirma que a
separação dos pais faz muito mal às
crianças e deixa uma marca que elas
carregarão pelo resto da vida

Anna Paula Buchalla
Durante 25 anos, a terapeuta americana Judith S. Wallerstein ouviu os relatos das experiências de 131 filhos de pais separados. A maioria dos casos foi acompanhada da infância à idade adulta. Judith comparou as trajetórias de seus entrevistados com as de integrantes de famílias intactas e chegou à conclusão de que, ao contrário do que pregam os arautos da "nova família", o divórcio faz mal, sim, a crianças e jovens. Ser filho de um casal que se separou, segundo ela, é um problema que nunca cessa de existir. O resultado de seu trabalho está no livro The Unexpected Legacy of Divorce (A Inesperada Herança do Divórcio), em co-autoria com Julia M. Lewis e Sandra Blakeslee. Foram mais de 75.000 cópias vendidas desde o lançamento, em setembro. Envolta em polêmica, a obra ganhou destaque na imprensa americana e chegou a ser capa da revista Time. Aos 78 anos, casada há cinqüenta, três filhos e cinco netos, Judith Wallerstein é conferencista emérita da Universidade da Califórnia e uma crítica dura do que chama de "cultura do divórcio". "Casais que vivem uma situação conjugal morna deveriam considerar seriamente a possibilidade de continuar juntos pelo bem de seus filhos", diz ela, sem medo de chocar. Da cidade de Belvedere, nos arredores de San Francisco, onde mora, Judith Wallerstein deu a seguinte entrevista a VEJA.
Veja – Como a separação dos pais afeta a vida de uma criança?
Judith – De várias formas. A adolescência começa mais cedo para filhos de famílias que sofreram um processo de separação. No caso das meninas, a iniciação sexual costuma ocorrer antes do recomendável. Boa parte das crianças passa a ocupar-se dos problemas da mãe e, algumas vezes, dos conflitos do pai. Não raro, elas têm de desenvolver por conta própria seus conceitos de moralidade. Os mais velhos tendem a cuidar dos irmãos mais novos, como se fossem adultos. Está provado também que filhos de casais separados sofrem mais de depressão e apresentam mais dificuldade de aprendizado que os provenientes de famílias intactas.
Veja – Os críticos de seu livro, A Inesperada Herança do Divórcio, acusam a senhora de ter carregado nas tintas.
Judith – Meu estudo se baseia em entrevistas com 131 filhos de casais divorciados, realizadas ao longo de 25 anos. De todos os relatos que ouvi transbordava sofrimento. Muitos se consideravam sobreviventes de um cataclismo de proporções cósmicas. Para uma criança, a vida pós-divórcio é incrivelmente difícil. Ela se sente abandonada, marginalizada. Karen, uma das minhas entrevistadas, expressou esses sentimentos com uma frase de cortar o coração: "O dia em que meus pais se divorciaram foi o dia em que minha infância acabou". Ao contrário do que acreditam os críticos do meu livro, não é um exagero dizer que a separação dos pais é uma marca, um estigma, que as crianças carregarão por toda a vida.
Veja – Mas há separações amigáveis e litigiosas. Não existe aí uma diferença?
Judith – Por mais que haja diferenças de caso para caso, a verdade é que não existe separação sem danos, perdas e tristeza. Em geral, o que ocorre é que um dos dois – o marido ou a mulher – quer o divórcio e o outro não. É ilusão imaginar um casal sentado calmamente à mesa da cozinha, mantendo uma conversa civilizada do tipo: "Cometemos um erro e devemos nos separar". Isso nunca, jamais acontece. E mais: as duas partes não encerram seus conflitos na Justiça. Sentimentos de amor e ódio não deixam de existir com a assinatura da papelada. Esse quadro de desgaste contínuo, não importa o grau, fere indelevelmente as crianças. É certo que há pais que tentam preservar ao máximo seus filhos do sofrimento de uma separação. Mas também é verdade que a decisão de "não brigar na frente das crianças" tem suas limitações. Evitar discussões não as protege dos efeitos de longo prazo do divórcio, que aparecem na vida adulta.
Veja – Quais são esses efeitos?
Judith – A maioria dos filhos do divórcio – vamos chamá-los dessa forma – atribui à separação dos pais grande parte de seus insucessos nos relacionamentos. A imagem negativa do casamento leva muitos a fazer péssimas escolhas de parceiros ou a fugir de compromissos. Cerca de 40% não consegue casar-se quando atinge a idade adulta. Há um contingente enorme de homens e mulheres na faixa dos 30 anos que, traumatizados com a experiência de seus pais, vivem sozinhos. Isso não significa, evidentemente, que eles não valorizem o amor, a fidelidade e o companheirismo. Apenas têm dificuldade em lidar com seus sentimentos e traduzi-los na construção de uma vida a dois. O dado paradoxal é que, apesar de tudo, o desejo de um casamento duradouro permanece irremovível. Nenhum dos adultos ouvidos por mim aceita a idéia de que o matrimônio é uma instituição falida.
Veja – As crianças sentem-se culpadas pelo divórcio dos pais?
Judith – Sim, especialmente quando são pequenas. Em geral, elas pensam que, se não existissem, seus pais não estariam brigando. Para os pais, é difícil minimizar o sentimento de culpa dos filhos. Ainda mais porque o homem e a mulher que vivem o tumulto de uma separação não têm equilíbrio e disponibilidade suficientes para dar conta do que as crianças estão sentindo.
Veja – Casamentos infelizes não prejudicam mais as crianças?
Judith – Depende de quão infeliz é o casamento. Muitos casais optam por ficar juntos para criar melhor seus filhos. E não há mal nenhum nisso. Eles têm os mesmos problemas de infelicidade conjugal dos que resolvem se divorciar. Só que são capazes de superar esses obstáculos. A recompensa é que seus filhos crescem de forma infinitamente melhor e se tornam adultos mais seguros, mais preparados para enfrentar as vicissitudes da vida.
Veja – O que a senhora prega, então, é a indissolubilidade do casamento de quem tem filhos.
Judith – Essa é uma interpretação equivocada. Evidentemente, há casamentos que não podem e nem devem ser mantidos, sob pena de prejudicar ainda mais as crianças. Especialmente em casos de violência familiar ou nos quais uma das partes se sente explorada ou humilhada pelo outro. O que critico é a "cultura do divórcio". Está muito fácil se separar hoje em dia. Problemas comezinhos servem de pretexto para que se dê o fora de um relacionamento. A opinião que prevalece na sociedade moderna é a de que podemos a qualquer hora refazer nossas trajetórias conjugais. Ocorre que, na pressa de melhorar nossa vida, não nos perguntamos como isso afeta as crianças que concebemos. Os filhos do divórcio não se sentem melhores porque papai e mamãe começaram a ter uma vida amorosa mais satisfatória com outros parceiros. Outro mito é imaginar que a separação é uma crise temporária, cujos efeitos são a da separação. Trata-se de uma crise de longo prazo e, em alguns casos, interminável.
Veja – Mas como um casal pode permanecer unido sem amor?
Judith – O amor, ora, o amor... De que amor estamos falando? O meu estudo mostra que muitas famílias que permanecem unidas não são abençoadas por Cupido, mas pelo bom senso. Acredito que a maioria das separações poderia ser evitada, não fosse a "cultura do divórcio". Há casamentos em que o amor acabou, mas que não são tão caóticos ou explosivos a ponto de a convivência ser intolerável. Milhões e milhões de pessoas se encontram nessa situação. Não amam, porém não odeiam seu companheiro. Essa é a diferença. Não raro, a separação traz mais angústia ao homem e à mulher do que um casamento morno. Vários homens e mulheres que compartilham uniões infelizes ficariam surpresos ao saber que seus filhos estão relativamente contentes. Enfatizo: um dos pontos mais interessantes do meu trabalho foi descobrir que, para as crianças, pouco importa se papai e mamãe dormem na mesma cama. O que conta é que se mantenham juntos. Por isso, acho sinceramente que casais que vivem uma situação conjugal tépida, sem amor, deveriam considerar seriamente a possibilidade de continuar juntos pelo bem de seus filhos.
Veja – A senhora falou em "cultura do divórcio". No que ela afeta os valores da sociedade moderna?
Judith – Entre outras coisas, a "cultura do divórcio" ajudou a cristalizar uma concepção errada: a de que o casamento é necessariamente uma prisão, uma interdição à felicidade do indivíduo, e não uma sociedade que comporta, além de obrigações, uma série de benefícios para as partes envolvidas. Por causa dessa visão distorcida, há muito menos uniões formais hoje em dia que vinte anos atrás. Para fazer frente ao problema, existe uma corrente nos Estados Unidos que discute até mesmo a introdução de uma nova disciplina no currículo escolar: a educação para o casamento.
Veja – Quando a separação é inevitável, e não se está falando aqui de casos escabrosos, o que os pais podem fazer para proteger seus filhos?
Judith – Antes de mais nada, pai e mãe têm de perceber que seus filhos precisarão de enorme ajuda para enfrentar as etapas que virão. A melhor proteção que eles podem dar, no primeiro momento, é não discutir na frente das crianças. Muitos dos que brigam na hora da separação continuam brigando depois dela. Há o divórcio legal, mas não o emocional, social e financeiro. Superada essa fase inicial (o que, repito, nem sempre ocorre), é comum que homem e mulher comecem a buscar novos companheiros. Nesse instante, porém, muitos continuam a não dar a devida atenção aos filhos, preocupados que estão com a própria felicidade e por achar que o pior já passou. É um tremendo erro. Quando papai e mamãe arrumam namorado, cai por terra a esperança infantil de que um dia eles poderão voltar a ficar juntos. O choque causado por tal constatação é terrível. Por isso, é preciso sempre proceder com cuidado. Outro aspecto que deve ser levado em conta é a imposição de dias e horários para que as crianças vejam seus pais.
Veja – As conseqüências negativas do divórcio não podem ser amenizadas quando os pais da criança se estabilizam emocionalmente?
Judith – Pesquisas recentes feitas nos Estados Unidos mostram que 25% de todas as crianças do país passarão parte de sua infância numa família formada a partir de um segundo casamento. E que cerca de 40% das uniões realizadas durante os anos 90 envolvem pessoas que já haviam sido casadas antes. Os números americanos talvez encontrem equivalência no Brasil, não sei. Seja na Califórnia, seja no Rio de Janeiro, é verdade que os segundos casamentos costumam ser melhores que os primeiros. Mas do ponto de vista dos adultos. É difícil para uma criança ou um adolescente aceitar sem reservas o novo marido de sua mãe ou a nova mulher de seu pai. Da perspectiva dos filhos, o casal de verdade será sempre aquele constituído por seus genitores. Por mais amigáveis que sejam, os substitutos conjugais são vistos como próteses. Quase que curativos para uma ferida que nunca se cicatriza. Infelizmente, os estudos realizados por mim levaram-me a concluir que, mesmo tendo crescido sob um segundo casamento feliz, isso não ajuda os filhos do divórcio a superar dificuldades de relacionamento na idade adulta.
Veja – O que é mais difícil para uma criança: aceitar a nova mulher do pai ou o novo marido da mãe?
Judith – Digamos que a posição do marido da mãe é mais complicada. Até porque, na maioria das vezes, é ele quem vive dentro da mesma casa da criança. Se ela mantém uma relação próxima com o seu pai biológico, qual é o papel dessa figura? Tanto para meninos quanto para meninas que vivem essa situação, há várias questões que podem ficar sem resposta: "Seria ele um amigo meu ou apenas o homem que vive com minha mãe?" "É meu parente?" "Se ele me ajuda na lição de casa, por que meu pai é quem conversa com a professora?" É um território propício ao nascimento de conflitos, mal-entendidos e competição.
Veja – Como o resto da família – principalmente avós e tios – pode ajudar durante o processo de divórcio?
Judith – Avós e tios casados podem representar uma referência de união estável e duradoura. A relação com os avós, especialmente, é importantíssima para crianças e jovens que se sentem desorientados. Muitos dos meus entrevistados disseram que, depois da separação de seus pais, foram os avós que "salvaram" a sua vida. Além de porto seguro do ponto de vista emocional, eles terminam se transformando numa fonte de segurança material para os netos. Em muitos casos, são os avós que suprem as necessidades financeiras da mulher divorciada que vê seu padrão de vida decair.
Veja – O fato de a separação conjugal ter-se tornado algo corriqueiro na sociedade não contribui para que seus efeitos se acabem diluindo?
Judith – É uma bobagem imaginar que, só porque há vários coleguinhas de seu filho passando pelo mesmo sofrimento, isso reduz o dele. Costumo comparar essa situação à da mulher que perde seu marido. Não importa que a vizinha também seja viúva. Esse fato não a faz sentir-se melhor. A experiência do divórcio é dolorosa e irreparável para qualquer criança.
Fonte:Revista Veja

Video: O Papel dos Pais no Aprendizado

Espanha: universidade ensina pais a criar filhos

Anelise Infante
O aumento dos delitos cometidos por menores de classe média na Espanha fez com que um grupo de educadores decidisse criar uma "universidade" virtual para ensinar os pais sobre a melhor maneira de criarem seus filhos.
Segundo eles, há cada vez mais crianças e adolescentes com poucas referências comportamentais porque há mais pais superprotetores ou que são mais colegas do que educadores de seus filhos. A solução: aprender a ser pai em uma universidade.
A recém-criada Universidade Para Pais (UP) oferece aulas gratuitas através de um campus online para que os pais de menores entre 0 e 16 anos tenham ajuda especializada em técnicas de pedagogia, psicologia e filosofia aplicada à educação.
"Chamamos esse projeto de pedagogia dos recursos", disse à BBC Brasil o professor em Filosofia e diretor da UP, José Antonio Marina.
"Trata-se de um conjunto de técnicas que ajudam a pais e filhos a encontrar suas próprias ferramentas para levar a vida de forma sociável com hábitos de conduta, afeto, autonomia e caráter", explica Marina.
Superproteção
O diretor da UP afirma que a geração de pais dos últimos 20 anos é a melhor informada, mas que "há uma lacuna nos quesitos limites e responsabilidades".
Segundo ele, as crianças precisam se sentir seguras e autônomas para crescer, mas muitos pais desconhecem as necessidades reais de cada etapa de crescimento.
"Por isso, muitas vezes há exigências exageradas ou, em outros casos, superproteção. Os excessos de condescendência, a culpa ao dizer não, ausências ou tentativas de ser colega do filho em lugar de autoridade provocam confusões na cabeça do menor".
Os casos de crianças que passam muito tempo com babás ou empregadas domésticas também são vistos como "arriscados" pelo diretor da UP, que afirma que a falta de autoridade das funcionárias contribui para que o menor imponha seus critérios.
Para ensinar a resolver os conflitos, a "universidade" espanhola propõe soluções personalizadas para cada família. s pais-alunos são acompanhados por um tutor, que faz um itinerário pedagógico durante um ano.
Eles recebem informações sobre como utilizar seus recursos e freqüentes atualizações sobre técnicas de psicopedagogia com bases científicas, além de bibliografia.
A UP também tem uma comunidade virtual de pais para que os interessados compartilhem experiências.
Cobranças
Mas os pais alunos também terão cobranças: aqueles que deixarem de responder aos contatos dos tutores perdem a matrícula.
A universidade tem ainda fóruns virtuais com temas básicos como: férias em família; como dizer não a um filho; cuidados durante gestação, parto e chegada do bebê; primeira infância (18 meses até 3 anos) e jogos entre pais e filhos.
Os cursos da Universidade Para Pais são para 150 alunos por ano. Segundo o diretor da UP, as aulas são gratuitas porque a instituição tem patrocínio de fundações educativas.
Delitos entre jovens
Estatísticas do Ministério do Interior da Espanha indicam um aumento de 70% do número de delitos cometidos por menores nos últimos cinco anos.
Em 2008 houve média de 160 detenções por dia, principalmente por agressões gravadas com celulares, roubos com intimidação, abuso sexual e maus tratos no ambiente familiar.
Segundo o porta-voz do Juizado de Menores espanhol, 80% dos detidos não são delinqüentes habituais e se regeneram após a primeira detenção. Os outros 20% tendem a entrar para a criminalidade.
BBC Brasil
Ouça esta Notícia na Rádio CBN no endereço: http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/gilberto-dimenstein/2009/02/13/UNIVERSIDADE-NA-ESPANHA-ENSINA-PAIS-A-CRIAR-OS-FILHOS.htm