sexta-feira, 22 de maio de 2009

Infância, a Idade Sagrada - Evânia Reichert

A terapeuta e jornalista Evânia Reichert que deu entrevista em matéria
publicada hoje no caderno Meu Filho conta que a motivação para
escrever o livro Infância, a idade sagrada nasceu em 2005, após o
suicídio de um menino de 10 anos, em Porto Alegre. Na carta deixada
para a família, o garoto alegou que não suportava mais viver na
solidão de sua casa e a depressão dos pais.

Para Evânia, o suicídio não é uma hipótese da infância. Era preciso
compreender o que estava ocorrendo. No livro, a terapeuta é rigorosa
com a atitude das famílias, especialmente com os equívocos que
comprometem a fase inicial do desenvolvimento infantil.

— Estamos em um momento de revisão nos modos de educar. Na minha
opinião, se não há respeito aos adultos, é porque eles também não
respeitam as crianças — avalia.

Para a especialista, a falta de auto-regulação é um dos principais
problemas da atualidade. Além disso, pais e professores estão falhando
quando não sustentam as esperanças das próximas gerações.

— Fizemos um saque antecipado do futuro — diz a autora, citando o
filósofo e educador Mário Sérgio Cortella.

Você está pessimista em relação à educação hoje?

Evânia Reichert _ Não tenho uma sensação negativa em relação a tudo
isso. É preciso compreender que estamos passando por uma mudança
significativa. É interessante que na Renascença a situação do
professorado era semelhante a que nós temos hoje. Naquela época, os
professores não estavam suportando a rebeldia dos adolescentes. A
diferença hoje é que o desafio não é só social ou político, mas
psicológico. Mário Sérgio Cortella (filósofo e educador) disse uma vez
que somos a primeira geração que não cuida suficientemente bem da
próxima. Não sustentamos as esperanças das próximas gerações, fizemos
um saque antecipado do futuro. Quando falamos para nossos filhos que
não há saída, que tudo é muito difícil, estamos os levando a viver o
presente de modo tão intenso que chega a ser insano. Isso também está
relacionado com a falta de auto-regulação.

Como se preparar para esse desafio?

Evânia Reichert _ A educação precisa ser elucidativa, consciente. É
preciso que os pais saibam o que está se passando, estejam atentos. As
escolas humanistas sugerem que até os sete anos as crianças não sejam
estimuladas só mentalmente, porque elas estão na fase do
desenvolvimento motor, do ritmo, do movimento. Depois é que vem a
maturidade cognitiva. É preciso desenvolver a sabedoria corporal.
Hoje, os pequenos passam essa fase fechados nos apartamentos, na
frente do computador e da televisão, e depois os pais acham que eles
são hiperativos… Mas o que falta é grama, terra.

Qual a responsabilidade dos pais nesse processo?

Evânia Reichert _ Estou convencida que o problema da educação está nos
adultos, que estão cada vez mais desconectados. Queremos que as
crianças sigam o nosso ritmo e neurose. Um cuidador suficientemente
bom é aquele que é capaz de estar atento ao tempo e às necessidades
das crianças. Não ignorá-las, não sobrepor sempre as suas necessidades
sobre as delas. Não é ser um pai submisso ou voltado só para os
filhos, mas é um modo de lidar no cotidiano. Acho que a maternidade e
a paternidade são uma grande oportunidade de desenvolvimento, mas é
preciso que haja o desejo de transformação.

Sobre a mudança na lei da licença-maternidade, você acredita que dois
meses a mais perto da mãe fazem diferença na formação da criança?

Evânia Reichert _ Sim. No mínimo, uma criança deveria ficar perto do
provedor de afeto até os seis meses de vida. Nunca na história da
humanidade os bebês ficaram tão cedo e tanto tempo em instituições. Em
vários países europeus, a licença para as mães é de seis meses e
existe uma licença para os pais. Hoje, muitos críticos falam sobre o
custo de uma licença-maternidade maior. Mas qual é o custo social e
financeiro para se tratar os comprometimentos posteriores? Os surtos
psicóticos, a depressão, o transtorno obsessivo compulsivo, problemas
que afastam as pessoas do trabalho? Esses custos são muitos maiores
para o país que o impacto da licença-maternidade estendida.

Fonte: http://www.clicrbs. com.br/blog/ jsp/default. jsp?source=
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